terça-feira, agosto 22, 2006

Pescoços não combinam com facas

Quem venceria a batalha? Uma pessoa analítica ou uma pessoa instintiva?

Pergunta muito díficil na minha opinião. Pessoas que agem por instinto, tomam suas atitudes na hora, não tem certeza no caminho a ser percorrido, elas simplesmente agem. Esta é sua grande vantagem e desvantagem ao mesmo tempo. Enquanto uma pessoa analítica procura ver o melhor movimento antes de fazê-lo, a instintiva certamente já terá desferido o golpe derradeiro sobre a outra. Porém, pessoas que agem por instinto não pensam nas conseqüências dos seus atos, sendo esta uma grande desvantagem. Pessoas instintivas, são ainda mais previsíveis que as analíticas. Pessoas analíticas procuram a melhor solução para os seus problemas. Pessoas instintivas procuram as mais fáceis.

Exalto os analíticos, da maneira que exalto a mim mesmo.
Analítico, frio, calculista.

Um belo exemplo disto é o poker. Jogadores por instinto perdem mais dinheiro do que ganham.
Jogadores analíticos ganham mais dinheiro do que perdem. Bons jogadores de poker, campeões, não jogam poker, eles 'analisam' poker. Antes de fazer a sua jogada, eles olham seus adversários e tentam prever as suas intenções.

E quem venceria a batalha? Não importa. Por trás de um exército, há pessoas analíticas e instintivas, e adivinhe qual dos dois irá morrer mais facilmente? Obviamente aqueles que estarão na frente de batalha, as pessoas que agem por instinto.

Por isto que eu prefiro pensar que meu instinto é um resultado de profunda análise do ambiente ao meu redor. Não existe sorte. Existe destino. Existe a competência de alguém, ou a falta dela em outras pessoas.

Óbvio dizer que uma pessoa desarmada, treinada na guerra, venceria alguém sem treinamento e armada. Da mesma forma, uma pessoa que procura compreender o motivo de tudo que a cerca, estará mais habilitada a vencer do que uma pessoa que apenas age, sem pensar nas razões.



Um adendo do comentário anterior: o canário morreu dois dias depois que eu escrevi o texto.
Enfim livre.

domingo, agosto 13, 2006

O Canário

Desde pequeno, minha família, especialmente meu pai, cuida de canários. Naquela época, já me ensinavam dois príncipios básicos para tratar destes animais: dar comida e água, e trocar o jornal do chão da gaiola.

Um belo dia, por descuido, deixei a porta da gaiola aberta, e o meu canário fugiu. Ao chegar da aula final de tarde, e ver a gaiola sem o bicho, desatei no choro. Acho que foi a primeira vez que experimentei a sensação de perda, e por isto chorava. Acabei dormindo.

Três horas depois, acordei. Era noite de quarta-feira, e tinha jogo de Grêmio pela Copa do Brasil.
Fortaleza e Grêmio pra ser mais preciso. Como não foi direto pela televisão, ouvi o jogo pela rádio. Segundo tempo de jogo, aproximadamente 11 horas da noite, começo a ouvir sons estranhos, batidas curtas, quase inaudíveis. Qual não foi o meu espanto, quando olho para a janela, está o canário fugitivo bicando o vidro.

Grandes tristeza e felicidade tive naquele dia. Sem contar que o Grêmio acabou ganhando aquele jogo, e se sagrou campeão desta copa naquele ano (95).

Alguns anos depois, já morando em Caxias, eu brincava com o mesmo canário, na sacada do apartamento. Ele acabou fugindo, por inépcia minha, e desta vez não voltou. Não chorei, não fiquei tão triste, só um pouco abatido. Não me senti triste porque desta vez sabia que estava fazendo a coisa certa.

"Mais vale um ano como leão, do que 100 anos como cordeiro." Não lembro de quem é esta citação, acredito que seja do Mussolini, mas ela define muito bem a moral de hoje. Como disse anteriormente, desde pequeno cuido de canários, e desde pequeno meus pais me falam que os canários nascem em cativeiro, e se forem libertos certamente morreriam pois não sabem procurar comida na liberdade.

Na segunda vez que o canário fugiu, não liguei pra este fato, porque sabia que agora ele estava livre, poderia aproveitar ao menos algumas horas, minutos, segundos de liberdade, mesmo que logo depois fosse comido por um predador. Deve ter sido muito satisfatório pra ele poder esticar as asas naquela tarde.

Me sinto como um canário as vezes. Preso em casa, sem emprego, não sobreviveria por muito tempo se resolvesse sair de casa. Em casa eu tenho comida, um lugar seguro pra dormir, mas não tenho espaço para abrir minhas asas, fazer o que eu quero. Já cansei de ser alimentado, de ver alguém trocando o meu jornal toda vez que faço uma cagada.

Atualmente, meu pai continua cuidando de um canário. Ele tem aproximadamente 10 anos, acredito que já passou em longe a idade de um canário normal. Infelizmente, ele já não voa, já não canta, e nem consegue abrir mais as asas. Fica recluso ao chão da gaiola, junto das suas próprias fezes. Sou a favor da eutanásia deste bicho, pois ele vive de uma maneira indigna, em condições realmente precárias. Posso afirmar com absoluta certeza que ele não pôde aproveitar a vida, vivendo deste jeito, e quem o manteve cativo sequer pensa nisto, mas o mantém por pura vaidade.

Quero sair de casa, antes que tenha o mesmo destino.